sábado, 9 de maio de 2015

Perdi-me

Pergunto-me onde está a minha alegria, para onde foi a S* que passava a vida a rir e tinha tempo para estudar e para ser feliz. Perdi a vontade de continuar, de sonhar mais alto, de puxar por mim, de testar os meus limites, de ver a vida como um copo meio-cheio. Perdi tudo aquilo que sempre me caracterizou. Perdi a vontade de tudo, perdi a vontade de cuidar de mim, perdi a vontade de estar com os amigos, perdi a vontade de sair de casa. Pior ainda perdi o que mais me caracteriza - o sorriso. 
" - Diga-me lá o que é que fez para ela ser assim? Ela está sempre bem-disposta, sempre a sorrir!"

Não quero sair de casa, não quero ir à faculdade, não quero seguir este curso, não quero ir para o mestrado, não quero ir trabalhar num banco, não me imagino numa empresa, não quero ficar o dia todo em frente a um computador a ver números e a ver qual a empresa cujas acções estão mais favoráveis no mercado. Não quero sair da cama, não quero enfrentar o mundo.
Já não sei o que quero, já não sei o que fazer. Mas não me entendam mal, eu quero trabalhar, quero estar ocupada! Mas quero algo que me faça feliz, que me faça querer enfrentar o mundo e dar 200% de mim.
Queria ter um sonho, queria ser daquelas pessoas que diz "o meu sonho é ser x e trabalhar nisto" mas não sou, não me imagino a trabalhar na minha área, não me imagino a fazer nada. E isso assusta-me porque eu quero mesmo fazer alguma coisa e quero ser boa nisso. Mas em que é que sou boa? Em que é que me destaco? Qual o futuro certo para mim?
Sei que a minha insegurança e falta de confiança acabam por ajudar nesta indecisão mas a verdade é que eu não tenho um sonho e como dizem, o sonho comanda a vida...

Sempre fui uma pessoa de surpresas

Em pequena adorava surpreender a minha família com poemas e coisas feitas por mim e ainda hoje a minha avó guarda todos os poemas que já lhe escrevi. Inclusive, os meus pais foram chamados à primária porque, segundo o meu professor, o meu texto sobre as férias era muito elaborado e ele achava que tinha inventado tudo...
Eu adorava sentir que ia fazer alguém feliz e amado e só isso já valia a pena. Ainda hoje é assim, gosto imenso de oferecer prendas que permitam que a pessoa olhe e veja mais do que um objecto, que veja o amor e o trabalho (para mim poupar dinheiro para comprar aquelas meias que a mãe tanto queria e precisava foi um trabalho) e tudo o que a pessoa significa para mim. Gosto que todos os dias, quando a minha mãe usa as suas meias de liga pense que foram uma prenda dos filhos numa altura em que ela, mesmo fazendo o dinheiro esticar, não conseguia compra-las. Faz-me feliz saber que a ajudei e sim, são umas meias, mas ela também já teve uma festa surpresa e um grande ramo de rosas, mas eu sabia que apesar de gostar da surpresa e a valorizar, o impacto das meias seria maior por ser um bem que ela necessitava urgentemente.

Mas como a maioria das pessoas, também eu gosto de receber surpresas. Gosto de saber que sou amada, que se preocupam comigo e que tiraram algum tempo a preparar algo totalmente a pensar em mim.
A última surpresa que me lembro foi feita nos meus anos em que supostamente não ia ter o meu namorado presente mas ele acabou por aparecer :D 

No entanto às vezes as pessoas esquecem-se de dar aquelas "meias", mesmo quando nós vamos dando dicas. Nessas alturas eu entro a matar e faço a surpresa a mim própria, como quando disse a tanta gente que o meu perfume estava a acabar quando me falavam de compras de Natal e do facto de não saberem o que me oferecer e não houve uma única alma que me oferecesse o perfume! No dia 23 de Dezembro comprei um, embrulhei e foi a prenda, de mim para mim! :P
Até porque quem melhor que nós para comprar aquele miminho especial? :)

quinta-feira, 7 de maio de 2015

É oficial!

Vou juntar dinheiro para comprar um big urso de peluche!!!!!!!
Está dito...


quarta-feira, 6 de maio de 2015

"Sexo anal ou dar sangue? Só podes escolher um deles."

Rebentou o escândalo. O presidente do Instituto Português do Sangue e da Transplantação afirmou que é um factor de exclusão para a dádiva de sangue ser um homem gay. Porquê? Porque os homens gay fazem sexo anal ao desbarato. Mas é que é uma javardeira que não se aguenta! Vão na rua, vêem outro homem aleatório e, se sentirem aquele cheirinho a homossexualidade, não perdoam! É logo ali. Sexo anal sem preservativo, sem lubrificante, sem uma pinga de amor, sem uma conchinha no fim. É que os gays são mesmo assim.
Mas, atenção! O mesmo presidente diz que não é uma questão de preconceito, não tem nada a ver com serem gays. O problema aqui é eles comerem outros homens. Lá está, tanta polémica e estava tudo só a ser maricas com o assunto, não é? Os homossexuais podem perfeitamente ter sexo com mulheres, prédios ou árvores. Com outros homens é que fica mais chato para depois dar sangue. Mas não tem nada a ver com preconceito. Nada. Zero. Ausência de tudo.
Então e os heterossexuais que fazem sexo anal com mulheres? Isso já pode ser. Mesmo que seja um heterossexual profissional do rebentamento de bilhas (expressão científico-técnica) e que nunca usa preservativo? Sim, pode ser. E se for a menina da Kookai? Também pode ser, porque, se for mulher, ter muita experiência não é automaticamente um factor de risco.
Portanto, no questionário de despiste aquando da dádiva de sangue, não se pergunta directamente se se é um homem gay (segundo o mesmo presidente), apenas se se é um homem que teve contacto com pilas alheias recentemente. Sugiro que perguntem também:
- Gosta de musicais do La Féria?
- Consegue combinar vários padrões em tons de bordeaux?
- Chorou a ver o Frozen?
- Ainda pensa todos os dias no Carlos Castro?
- Passa uma mulher que é um canhão descontrolado e você só liga à mala Michael Kors que ela traz?
- Ouve falar na polémica do Uber e o que lhe vem logo à cabeça é lUberficante anal para homens? (tão forte, esta).
Basta responder “sim” a umas destas questões que rebenta logo a escala que vai de 0 (pode dar sangue) a Super Rabeta (Ai, filha! Nem penses que dás sangue a alguém!). E assim, evita-se logo que os gays tentem dar sangue, que aquilo ainda se propaga.
Mas não é preconceito. É capaz de ser só estupidez, mesmo.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Talking Body


"Now if we're talking body
You got a perfect one
So put it on me
Swear it won't take you long
If you love me right
We fuck for life
On and on and on"

Porque mesmo as santinhas têm o diabo escondido. E se é tão bom, porquê negar?

sábado, 2 de maio de 2015

Ás vezes dá-me para estas coisas


Não sejas mauzinho 
E vem dar-me aquele miminho
Aquele que é tão bom
E me aquece o coração

Prometo que me porto bem
mas mesmo se não me portar
promete que me vais amar
E eu amar-te-ei vezes 100

Não sejas mauzinho
e vem para o pé de mim
ver um romance lamechas 
Dá-me todo o teu carinho
Prova que me amas assim
Só a amar, sem pressas



terça-feira, 28 de abril de 2015

Ser solteiro

Este texto é muito meu. Inicialmente arranjar um amor para a vida era quase o propósito de vida. Mas depois de muito sofrer com isso tornei-me numa pessoa muito independente, daquelas que pensam que se vier alguém disposto a entrar e ficar teria de ser alguém especial e alguém que se atrevesse a entrar na água e não apenas a ficar na areia a ver. Quando finalmente deixei de pensar no amor como um objectivo e passei a olhar para ele como algo que se chegar é bem vindo mas que se não chegar está tudo ok na mesma...

Vejam o texto e vão perceber tudo o que quero dizer ;)

“E a namorada?” Alguém vai me perguntar. Aí vou sorrir e responder: “Estou solteiro!”. E logo depois vem aquela cara de: “nossa, coitadinho”, quando ao meu ver era a hora certa da pessoa me abraçar e pularmos gritando: “Parabéns Campeão!” Sabe, realmente não entendo essas pessoas que colocam o fato de encontrar uma pessoa como sendo um dos objetivos primordiais da vida. Como se a ordem natural fosse: nascer, crescer, conhecer alguém e morrer. A meu ver, não é assim. As pessoas se dizem solteiras como quem diz que está com uma doença grave, alguém que precise de ajuda. Não é nada disso. Existe sim vida na “solteridão”! E das boas. E isso não quer dizer farra, putaria, poligamia ou promiscuidade. Aliás, quer dizer sim, mas só quando você tiver afim. No mais quer dizer liberdade, paz de espírito, intensidade. E olha que escrevo isso com algum conhecimento de causa, já que tenho vários anos de namoro no currículo. De verdade, do fundo do coração, eu estou muito bem solteiro. Acho até que melhor que antes. Gosto de acordar pela manhã sem saber como vai terminar meu dia. Gosto da sensação do inesperado, da falta de rotina e de não ter que dar satisfação. Gosto de poder dizer sim quando meu amigo me liga na quinta-feira perguntando se quero viajar com ele na manhã seguinte. De chegar em casa com o Sol nascendo. De não chegar em casa as vezes. De conhecer gente nova todos os dias. De não ter que fazer nada por obrigação. De viver sem angústia, sem ciúme, sem desconfiança. De viver. Acredito que todo mundo precisa passar por essa fase na vida. Intensamente inclusive. Sabe, entendo que talvez essa não seja sua praia. Ou talvez você nunca vá saber se é. Eu mesmo não sabia que era a minha, e veja só você, hoje sou surfista profissional. O que percebo são pessoas abraçando seus relacionamentos como quem segura uma bóia em um naufrágio. Como se aquela fosse sua última chance de sobrevivência. Eu não quero uma vida assim. Nessa hora talvez você queira me perguntar: “Mas e aí? Vai ficar solteirão para sempre? Vai ser assim até quando?” E eu vou te responder com a maior naturalidade do mundo: “Vai ser assim até quando eu quiser”. Quando encontrar alguém que seja maior que tudo isso, ou talvez alguém que consiga me acompanhar. E não venha me dizer que aquele relacionamento meia boca seu é algo assim. O que eu espero é bem diferente. Quando se gosta da vida que leva, você não muda por qualquer coisa. Então para mim só faz sentido estar com alguém que me faça ainda mais feliz do que já sou, e como sei que isso é bem difícil, tenho certeza que o que chegar será bem especial. E se não vier também está tudo bem sabe? Eu realmente não acho que isso seja um objetivo de vida. Não farei como muitos que se deixam levar pela pressão dessa sociedade. Tanta gente namorando pra dizer que namora, casando pra não se sentir encalhado, abdicando da felicidade por um status social. Aí depois vem a traição, vem o divórcio, a frustração e todo o resto tão comum por aí. Não, não. Me deixa aqui quietinho com a minha vida espetacular. Pra ser totalmente sincero com você, a real é que não é sua situação conjugal que te faz feliz ou triste. Conheço casais extremamente felizes e outros que estão há anos fingindo que dão certo. Conheço gente solteira que tem a vida que pedi para Deus e outros desesperados baixando aplicativos de paquera e acreditando que a(o) ex era o grande amor e que perdeu sua grande chance. Quanta bobagem. A verdade é que só você mesmo pode preencher o seu vazio, e colocar essa missão nas mãos de outra pessoa e pedir pra ser infeliz. Conheco sim vários casais incríveis, assim como tantos outros que não enxergam que estão se matando pouco a pouco. Só peço que não deixem que o medo da solidão faça com que a tristeza pareça algo suportável. Viver sozinho no início pode parecer desesperador, mas de tanto nadar contra a maré, um dia você aprende a surfar. E te digo que quando esse dia chegar, você nunca mais vai se contentar em ficar na areia. Desse dia em diante só vai servir ter alguém ao seu lado se este estiver disposto a entrar na água com você.